A Revista de Globalização, Competitividade e Governança dá continuidade, com esta edição, à sua trajetória para cumprir com fidelidade e periodicidade o compromisso com nossos leitores e os critérios de qualidade aceitos internacionalmente e auditados por várias instituições. A GCG encontra-se indexada atualmente nas seguintes fontes: SCOPUS (Elsevier Bibliogrphic Databases. Scimago Journal Rank), nas categorias de: Business, Management and Accountingy Economics, Econometrics and Finance; EconLit (American Economic Association’s electronic bibliography); EBSCO Publishing´s databases (Business Source Complete; Business Source Premier; Business Source Elite; Fonte Acadêmica Premier; Fonte Acadêmica Plus); ABI/INFORM (ProQuest; LATINDEX; REDALYC; Google Scholar Metrics). Essa aposta na qualidade permitiu que a GCG fosse classificada como revista A (categoria mais alta) de todas as revistas espanholas de Ciências Humanas e Sociais na Web of Science e/ou SCOPUS (ISOC-CSIC). Em 2019, foram recebidos 58 artigos, com 24,14% de índice de aceitação e 103.576 downloads de artigos realizados no site da GCG.
No primeiro artigo, Juan Rivera-Mata, da Loyola University (EUA), analisa a liderança de 427 jovens de 16 países da América Latina e da Espanha, que participaram do Programa de Liderança para a Competitividade Global (GCL) da Georgetown University entre 2007 e 2019, para procurar estabelecer se existem diferenças significantes em relação ao perfil de outros líderes na Europa e nos Estados Unidos em termos de gênero e país. Os resultados apontam que existem grandes similaridades entre os líderes, com alto nível de uniformidade no grupo, sem encontrar diferenças significantes por gênero ou país. No entanto, podem ser caracterizados mais como “lideres paternalistas”: diferentes países, diferente gênero, mesma liderança.
O segundo artigo analisa a participação da sociedade nas tomadas de decisões de investimentos em responsabilidade social corporativa (RSE) das empresas de mineração no Peru e suas condições causais através de pontos de vista dos interessados. Para isso, os professores Beatriz García-Ortega, Blanca de-Miguel-Molina e Vicente Chirivella-González (da Universidade Politécnica de Valência, Espanha) entrevistaram membros da sociedade, ONGs e consultores. Os autores procuram analisar se os interessados explicam as necessidades da sociedade, reconhecem os investimentos realizados pelas empresas, acreditam que os lucros da mineração não são o que esperavam, tributam os custos gerados por essas atividades e apontam que o diálogo é a solução. Eles chegam à conclusão de que as condições foram diferentes segundo a participação ou não da sociedade nas tomadas de decisões, em que a segunda situação foi a prevalente.
Allison Manoel de Sousa, Fabrícia Silva da Rosa e Alex Mussoi Ribeiro (da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) procuram analisar a influência das despesas públicas no crescimento econômico e o desenvolvimento de municípios de Santa Catarina, realizando uma amostragem de 291 municípios entre 2013 e 2016, para o que empregaram painéis de diversas modalidades. Os autores chegam à conclusão de que apenas as despesas correntes totais estão relacionadas (negativamente) com a mudança no PIB. O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) está relacionado negativamente com as despesas em educação e as despesas correntes totais. Adicionalmente, o IFDM está relacionado positivamente com as despesas em urbanismo e moradia, bem como com o número de habitantes.
No próximo artigo, Vanessa de Menêses Silva e Wenner Gláucio Lopes Lucena (da Universidade Federal da Paraíba, Brasil) analisam se a denúncia de corrupção passiva contra Michel Temer contribuiu para que existissem lucros anormais no mercado financeiro brasileiro, o que provocou o surgimento do efeito "rebanho". Para isso, empregam como metodologia a análise de eventos e procuram identificar se havia diferença entre as médias de lucro nos períodos. A conclusão à que chegam é que os lucros no período do evento eram estatisticamente diferentes dos outros períodos, notando a presença de um efeito "rebanho" na época da acusação de corrupção contra o presidente. Os autores entendem que a queixa afetou o mercado financeiro brasileiro, fomentando lucros anormais do mercado.
De acordo com Alejandro J. Useche e Giovanni E. Reyes (da Universidade de Rosário, Colômbia), a ideia aceita de modo generalizado é que a corrupção é um comportamento antiético que viola as normas aceitas legítima e socialmente, afetando o bem-estar social. Este artigo visa analisar a evolução e determinar as relações estruturais entre a competitividade, o crescimento econômico e a percepção da corrupção em uma amostragem realizada entre 20 países da América Latina e do Caribe por meio da análise da correlação e do desempenho. Os resultados apontam que, nesse período, houve pequenos progressos contra a corrupção. Embora a posição competitiva da maioria dos países tenha melhorado, o crescimento do PIB sofreu uma redução considerável. Os autores encontraram evidências ambíguas quanto à correlação entre corrupção, competitividade e crescimento econômico.
O objetivo do artigo redigido por Luís Gustavo do Lago Quinteiro (da Universidade Estadual de Goiás, Brasil), Otávio Ribeiro de Medeiros e Jorge Katsumi Niyama (da Universidade de Brasília, Brasil) é propor e testar um modelo de avaliação da influência da incerteza em relação à política econômica no mercado de valores brasileiro com base no Modelo de Cinco Fatores de Fama & French, inserindo um fator adicional que representa o risco da incerteza, em duas versões: com base no Índice de Incerteza Econômica (IIE-Br / Fundação Getúlio Vargas) e a Incerteza da Política Econômica (EPU) para o Brasil. Na opinião dos autores, o modelo proposto em ambas as versões demonstrou um poder explicativo maior das rendas das 32 carteiras avaliadas em comparação com o modelo FF no período e a amostragem analisada. A conclusão à que chegam é que os coeficientes dos fatores de incerteza (EPU e IIE-Br) foram significantes em aproximadamente 75% das carteiras, indicando a possibilidade de que essa metodologia seja empregada como um mecanismo para compreender melhor os efeitos da incerteza no mercado brasileiro.
Queremos agradecer mais uma vez a todos os que contribuem para o funcionamento adequado da revista, a saber, aos membros do Conselho Consultivo, ao Conselho Editorial, aos Editores e Editores Associados da área, aos avaliadores, aos autores e, principalmente, aos leitores.