v. 5 n. 2 (2011)
Sobre este número
Carta do Editor Chefe

O primeiro artigo desta edição do Jornal de globalização, competitividade e Governança pretende mostrar a evolução das práticas de divulgação de relatórios de sustentabilidade desde a sua criação. Para tal, os professores Eduardo Ortas e Jose M. Moneva da Universidade de Saragoça (Espanha), analisam e discutem as principais teorias que explicam este fenómeno, analisando igualmente o estado da questão no que diz respeito à divulgação da sustentabilidade numa região emergente: o contexto latino-americano. Especificamente, estudam as práticas realizadas pelos países mais relevantes na divulgação de informação de sustentabilidade na América Latina.

Apesar da importância e relevância da estratégia de reestruturação do portfólio de negócios em empresas diversificadas, quase não existem estudos no contexto empresarial espanhol e latino-americano. O artigo dos professores Miguel Blanco Callejo, Luis Angel Guerras Martín y Javier Forcadell Martínez da Universidad Rey Juan Carlos (Espanha) visa fornecer evidências empíricas do estudo em profundidade da implementação desta estratégia pelas três principais multinacionais espanholas de electricidade que têm uma forte presença na América Latina. Os resultados destes três casos mostram que a reestruturação é resultado de mudanças no ambiente, de problemas de agência e de implementação de estratégias de diversificação inadequadas. Para os autores, o retorno à especialização corporativa conduziu a que as empresas melhorassem significativamente o seu desempenho económico e criassem valor.

No próximo artigo, Abel Torres Garcia-Heras, da Universidade Rey Juan Carlos (Espanha) tem como objectivo mostrar uma visão empírica da percepção de risco nos mercados financeiros globais. Essa análise de risco concentra-se na evolução do preço de credit default swaps, tanto de dívida soberana como dívida corporativa, nos últimos cinco anos. Durante esta análise, o autor aponta as distorções e os desenvolvimentos nas percepções de risco. A maior novidade é que os países latino-americanos têm um menor risco de incumprimento do que países europeus. Também como as empresas altamente diversificadas geograficamente apresentam níveis de risco inferiores à dívida soberana nacional.

Durante 2008 e 2009 um grande número de empresas entrou com pedido regulação de emprego (ERE) em Espanha. Os professores Susana Callao Gastón e José Ignacio Jarne Jarne da Universidade de Saragoça (Espanha) estudaram este tipo de resposta das empresas à crise, a fim de saber quais as características económicas e financeiras que diferenciam as empresas que responderam com um ERE daquelas que não adoptaram essa resposta. Descartada a existência de manipulação contabilística, os autores mostram os resultados que os problemas de liquidez, rentabilidade e cobertura dos custos financeiros decorrentes da dívida, bem como o peso dos custos com pessoal no resultado, são cruciais para a probabilidade de as empresas apresentarem um ERE.

Os professores José Julián Cao-Alvira, da Universidade de Porto Rico e Carlos Ronderos-Torres da Universidade Sergio Arboleda (Colômbia) analisam a dinâmica entre o sector externo colombiano e variações na taxa de câmbio real da moeda colombiana no marco teórico da condição de Marshall-Lerner, tanto para produtos commodities como para o comércio de não-commodities. Para os autores, fica demonstrado que, historicamente, a condição M-L é cumprida para os casos de comércio externo colombiano de não-commodities com os EUA e Venezuela. No entanto, o comércio de commodities colombiano não se mostrou afectado por mudanças no intercâmbio internacional

No seguinte artigo, Ciro Martinez Oropesa, da Universidad Autónoma de Occidente (Colômbia) teve por objectivo determinar que tipos de mudanças ocorriam nos comportamentos dos funcionários quando os supervisores modificavam as suas atitudes e nível de desempenho orientado para a segurança permitindo aplicar formas mais eficazes para combater o elevado consumo de tempo e melhorar a eficiência em todas as etapas ou fases do processo de gestão. Para o autor, o estudo permitiu desenvolver novos indicadores e formas pró-activas de avaliar a segurança com um maior alcance para medir o desenvolvimento e consistência de todo o processo e o impacto na efectividade e eficiência do mesmo.

No último artigo, o professor Juan Miguel Báez Melian da Universidade de Zaragoza (Espanha) analisa os factores que facilitam ou dificultam a criação de sociedades cooperativas, em particular, as cooperativas de trabalho em Espanha. Para o autor, parece claro que os motivos ideológicos não constituem uma das principais causas para a criação de cooperativas, no entanto, parece que a influência positiva do ambiente tem desempenhado um papel importante na sua criação, da mesma maneira que o desemprego exerce uma influência positiva sobre a constituição deste tipo de empresas, No entanto, uma desvantagem significativa é capacidade reduzida de obter financiamento.

Mais uma vez agradecemos a todos aqueles que permitem o bom funcionamento da revista, aos membros do Conselho Consultivo, Conselho Editorial, Editores Associados de área, avaliadores, autores e, especialmente, aos leitores.