v. 17 n. 3 (2023): SETEMBRO-DEZEMBRO
SETEMBRO-DEZEMBRO

Nicolás Albertoni e Roberto Horta (Universidad Católica del Uruguay) se propuseram a analisar os fatores que explicam ou estão mais relacionados ao tipo de internacionalização seguido pela empresa exportadora. Os resultados mais consistentes referem-se à relação positiva entre a capacidade competitiva da empresa e seu modelo de internacionalização precoce, embora também haja evidências de que a existência de um departamento especializado em comércio exterior e a experiência de exportação do empresário sejam dois aspectos que influenciam o tipo de internacionalização precoce das empresas. Para os autores, os resultados contribuem para uma melhor compreensão da dinâmica de exportação do Uruguai.

No próximo artigo, Leonardo da Silva Araújo e Andréa Justino Ribeiro Mello (CEFET-RJ, Brasil) investigam o desempenho percebido de profissionais e aprendizes em relação a soft skills durante o período da pandemia. Este estudo propõe um modelo utilizando regressão logística ordinal para testar a relação entre o desempenho profissional e o desempenho em determinados soft skills, e a influência da pandemia nessa questão. Para os autores, os elementos da pandemia mais evidentes na explicação do desempenho profissional percebido foram a velocidade de sua disseminação e a interrupção da rotina. E as soft skills mais significativas foram a comunicação oral, o autogerenciamento e as habilidades técnicas/digitais.

As pequenas empresas desempenham um papel importante na economia e sua gestão é influenciada por diversos fatores, como a alfabetização financeira adequada. Usando dados da Survey of Financial Skills in Small Firms, este artigo analisa se o tamanho, o setor e a natureza exportadora das empresas estão relacionados ao nível de alfabetização financeira de seus proprietários/gerentes. Sara Fernández-López, Marcos Álvarez-Espiño e Lucia Rey-Ares (Universidade de Santiago de Compostela, Espanha) concluem que as estimativas mostram uma relação positiva entre o tamanho da empresa e a alfabetização financeira dos proprietários.

Juan Carlos Baker, Felipe De Anda e Edgar Demetrio Tovar-García (Universidad Panamericana, México) apresentam seis estudos de caso, baseados em entrevistas não estruturadas e aprofundadas com CEOs de empresas mexicanas de pequeno e médio porte, para explicar por que e como a confiança é relevante para a internacionalização. Essas empresas sofrem com estereótipos negativos sobre sua cultura e o sistema jurídico do país, o que gera uma falta de confiança individual e institucional. Portanto, os autores argumentam que a desconfiança é uma barreira adicional à internacionalização das empresas no caso do México e, provavelmente, no caso de outros países em desenvolvimento.

O efeito do anúncio da intervenção militar na Ucrânia sobre o desempenho de 23 países com mercados de ações desenvolvidos e sua respectiva relação com o crescimento econômico em 2022 é investigado por Eduardo Sandoval-Álamos (Universidad Tecnológica Metropolitana, Chile). O autor contrasta quatro modelos, sendo o melhor o modelo de cinco fatores variável no tempo de Fama & French com resíduos heteroelásticos. Os resultados indicam que os investidores globais que se protegeram de forma oportunista nos mercados de ações da Noruega e dos EUA e liquidaram posições no mercado de ações de Hong Kong obtiveram desempenho superior no mercado de ações em economias com crescimento econômico positivo e negativo, respectivamente.

No último artigo, Arthur Tavares de Sena, Aline Moura Costa da Silva, Cintia de Melo de Albuquerque Ribeiro (Universidade Federal Fluminense - UFF, Brasil) e Anna Paola Fernandes Freire (Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Brasil) analisam a contribuição do risco do mercado acionário russo para o risco do mercado acionário brasileiro e para o risco do setor de agronegócios brasileiro, considerando a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Os principais resultados indicam que houve uma diminuição na contribuição do risco do mercado acionário russo para o mercado acionário brasileiro e um aumento na contribuição do risco do mercado russo para o risco do setor de agronegócios brasileiro, mas não estatisticamente significativo. Embora o Brasil dependa de alguns insumos (agro) do mercado russo, o país é um exportador global de produtos agrícolas. Diante disso e dos resultados encontrados, sugere-se que, mesmo com altos custos de produção, o Brasil conseguiu suprir a demanda reprimida pela guerra, estabilizando os impactos negativos em sua economia.

Queremos, mais uma vez, agradecer a todos os que tornam possível o bom funcionamento da revista: aos membros do Conselho Consultivo, ao Conselho Editorial, Editores e Editores Associados da área, avaliadores, autores e, principalmente, aos leitores.

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