v. 3 n. 2 (2009)
Sobre este número
Carta do Editor Chefe

Com este número, a Revista de Globalização, Competitividade e Governabilidade continua a cumprir fielmente a periodicidade para com os nossos leitores, assim como os critérios de qualidade internacionalmente aceites, a fim de contribuir para a sobrevivência da mesma. Como já tivemos ocasião de referir, a GCG cumpre com os critérios LATINDEX, pelo que foi indexada no seu catálogo e os 4 parâmetros de qualidade submetidos a avaliação contínua pelo DICE (Difusão e Qualidade Editorial das Revistas Espanholas de Humanidades, Ciências Sociais e Jurídicas da Agência Nacional de Avaliação da Qualidade e Acreditação e do CSIC). Durante o ano de 2009, a GCG foi indexada no EconLit (American Economic Association), no Ulrich’s Periodicals Directory e nas Ebsco Publishing´s Databases.

Abrimos este número com o artigo dos professores José Plá, Joaquín Camps e Anoop Madhok, os quais estabelecem, de uma perspectiva teórica, os conceitos de «país trampolim» e «filial trampolim» nas relações Espanha-América Latina que, embora continuem sempre presentes na agenda política e diplomática, não foram analisadas do ponto de vista da investigação em direcção de empresas. Para os autores, uma «filial trampolim» será uma filial que transforma as vantagens de localização do «país trampolim» numa autêntica vantagem específica da filial. Para isso, deve desenvolver conhecimento experimental relevante (tácito e específico), especializado e, o que é mais importante, valorizado pela matriz e pelo resto das filiais. Isso irá permitir-lhe reivindicar certa disposição de recursos adicionais e um maior grau de autonomia para exercer as funções de coordenação, controlo e mesmo investimento noutras filiais.

No segundo artigo o professor Ricardo Arturo Pulgar-Betancourt analisa o modo como os grupos terroristas se transformam em organizações mais complexas, capazes de dispor da tecnologia mais eficaz. Isso obriga a realizar uma política de contra-terrorismo transnacional relacionada com os seus recursos assim como com as suas novas estruturas. Este artigo procura explicar por que razão os países não alvo pretendem cumprir tais regulamentos. De acordo com esta investigação, os países alvo procuram países não alvo para pôr em prática algumas políticas contra-terroristas. Como um «market to regulation» transnacional não é realizável devido aos custos de transacção, esta política é imposta mediante sanções implícitas e/ou explícitas, que são aplicadas se os países não alvo não cumprirem o nível desejado de contra-terrorismo.

No terceiro artigo, as professoras Natalia Dejo e Marisa Ramírez examinam como o comportamento das PMEs na sua estratégia de exportação é determinado por três grupos de factores: 1) o sector de negócio no qual a empresa desenvolve a sua actividade; 2) algumas características relacionadas com a organização; e 3) o mercado de destino. Os resultados alcançados mostram que existem cinco perfis diferentes de exportação, que reflectem os graus em que variam o compromisso na sua expansão internacional e as diferentes estratégias adoptadas.

As alianças estratégicas globais, aquelas cujo âmbito de actuação ultrapassa as fronteiras de um país, permitem acelerar a expansão internacional da empresa. No quarto artigo, os professores Esteban García-Canal e Andrea Martínez-Noya apresentam uma análise detalhada das diferentes estratégias de expansão internacional acelerada baseadas em alianças. Concretamente, apresentam uma tipologia baseada nos recursos externos que a empresa precisa para fazer chegar os seus produtos a um mercado mais amplo. Para os autores, a principal contribuição do trabalho é mostrar que todo o tipo de empresas pode ser beneficiado pelas alianças globais, independentemente da prévia dotação de recursos.

No quinto artigo, o professor Jaime Sabal explica que, embora o WACC seja apropriado para a avaliação de projectos e empresas, talvez não seja uma boa regra para a tomada de decisões de investimento. A razão é que se mistura o valor do próprio projecto com os incentivos fiscais, de tal forma que o WACC, em certas ocasiões, pode «transformar» projectos pouco atractivos em aceitáveis. Os investimentos devem ser aceites apenas se contarem com um Valor Actual Líquido positivo descontada taxa de desconto sem alavancamento, ou seja, sem considerar os incentivos. Para o autor, o WACC entra em cena apenas para avaliar o impacto de um novo projecto, uma vez que tenha sido aceite e quando a taxa de endividamento seja fixa.
Os professores Diego Rodríguez, Jaime Turrión e Javier Velázquez analisam, no sexto artigo, a evolução da competitividade e do processo de deslocalização dos sectores industriais espanhóis no período 1999-2006, combinando uma análise com dados agregados de comércio com outras que utilizam microdados de empresas. Os resultados alcançados no estudo revelam uma situação preocupante em torno da competitividade dos sectores industriais espanhóis, que se pode resumir em que quase 60% do emprego industrial está situado em sectores com grandes problemas de competitividade externa e interna. Finalmente, relativamente ao processo de deslocalização da actividade produtiva, os dados indicam uma queda na sua importância, sobretudo quando é avaliada na base do emprego associado.

No artigo seguinte, o sétimo, Jaime Rivera, Víctor Molero e Julio Cerviño procuram uma resposta válida para a pergunta de como deve ser avaliado o interesse dos países susceptíveis de fazer Investimento Estrangeiro Directo (IED), para o que estudam os três países latino-americanos com maior investimento em Espanha: Brasil, México e Chile. Com a validação qualitativa desta nova perspectiva pode-se determinar se é conveniente considerar estes países como fontes potenciais de IED ou se, pelo contrário, se devem procurar novos sócios. Os resultados sugerem que a metodologia utilizada neste artigo também é válida para avaliar o interesse de outros países emissores de IED.

Os estudos da relação entre a liberdade de imprensa e o desenvolvimento datam do século XVIII. No entanto, o sentido desta relação não foi sempre interpretado da mesma forma e ainda na actualidade é um tema de debate. Hernán Alberro, no último artigo, efectua um percurso histórico ao longo dos diferentes autores e interpretações, para concluir, apelando a dados empíricos que permitem observar a realidade e a associação entre indicadores de liberdade de imprensa e desenvolvimento, tanto no seu aspecto económico como humano.
Esperamos durante o corrente ano continuar a contar com a confiança de todos: membros do Conselho Consultivo, Conselho Editorial, Editores e Editores Associados de área, avaliadores, autores e sobretudo dos leitores.