Iniciamos este segundo número do volume 4 da Revista de Globalização, Competitividade e Governabilidade com um artigo que analisa os efeitos do investimento em I+D sobre o crescimento empresarial. Apesar deste investimento ser uma das verbas mais difíceis de manter em momentos de recessão económica dado o diferimento dos seus efeitos sobre os resultados empresariais, os professores Juan Vicente García Manjón e M. Elena Romero Merino da Universidade Europeia Miguel de Cervantes (Espanha) justificam que os seus efeitos são claros sobre o crescimento das vendas nos sectores industriais de média e alta tecnologia, bem como nos serviços intensivos em conhecimento. Além disso, a influência do investimento em I+D é intensificada nas empresas que apresentam os níveis mais elevados de crescimento.
As professoras Silvia Ayuso e Juliana Mutis da Escola Superior de Comércio Internacional (ESCI) da Universidade Pompeu Fabra (Espanha) analisam as práticas de Responsabilidade Social Corporativa reportadas pelas empresas espanholas com actividades ou fornecedores em países em desenvolvimento com adesão ao Pacto Mundial. Os resultados desta análise mostram as actuações de RSC das empresas estudadas relativamente a temas como direitos humanos, direitos laborais, meio ambiente e luta contra a corrupção. Os resultados da análise mostram que as empresas declaram um elevado nível de cumprimento dos indicadores seleccionados para avaliar as quatro áreas do Pacto Mundial. No entanto, a informação proporcionada pelas empresas nos seus Relatórios de Progresso costuma ser muito genérica e, geralmente, não especifica as acções empreendidas nas actividades ou com os fornecedores situados em países em desenvolvimento.
Para Pascual Amezquita Zarate da Universidade Sergio Arboleda (Colômbia), o presidente Carlos Lleras Restrepo deu na Colômbia um grande impulso na política económica chamada Industrialização por Substituição de Importações (ISI) durante o seu mandato (1966-70). O forte conteúdo keynesiano não foi um facto isolado na América Latina, onde se desenvolveu a sua utilização desde os anos de 1950, como resposta ao atraso e aplicando o paradigma económico mundial vigente. Para este professor os resultados não teriam comparação no século XX.
O Santander transformou-se numa marca líder e global no âmbito dos serviços financeiros. O artigo seguinte, além de demonstrar a relevância da marca dentro do negócio bancário, pretende destacar a importância do patrocínio desportivo como uma forte e efectiva ferramenta de marketing neste sector. Para o professor Miguel Blanco Callejo, da Universidade Rei Juan Carlos (Espanha), no caso do Santander, este instrumento comercial facilitou o objectivo estratégico da direcção da entidade de transformar a carteira de marcas, que se integravam no Grupo em 2003, numa marca global única para os seus mercados em 2010. A correcta, coerente e estudada selecção dos desportos patrocinados, Fórmula 1 e Futebol; e uma inteligente, exaustiva e completa activação dos seus patrocínios permitiram ao Santander incrementar o seu posicionamento e notoriedade internacional, alcançar com sucesso os objectivos estratégicos que tinha fixado, assim como conseguir retornos e rentabilidades espectaculares dos investimentos realizados.
No próximo artigo, Carlos Ronderos Torres, da Universidade Sergio Arboleda (Colômbia) identifica as variáveis que determinam o impacto do Investimento Estrangeiro Directo – IED sobre o desenvolvimento económico e a competitividade, permitindo formular uma Matriz que relaciona os aspectos descritos e avalia o impacto do IED sobre elementos do desenvolvimento e da competitividade. Para este professor esta ferramenta pode ser particularmente útil como instrumento guia de políticas públicas para países de menor desenvolvimento que procuram no IED um alavancamento para o seu rápido desenvolvimento. A Matriz proposta pode cumprir ao mesmo tempo um papel como elemento pedagógico, útil para entender o impacto que tem o IED sobre as economias receptoras.
Antonio Tena Centeno, da Moody's Espanha, e Juan Manuel Vasallo Magro, da Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), baseando-se em dados de seis economias da América Latina, assim como de Espanha, destacam o importante papel que o investimento privado teve no crescimento dos países estudados. Uma vez evidenciado o modo como a crise económica actual força à austeridade orçamental, propõem o desenvolvimento de medidas que permitam manter um esforço de investimento crescente aperfeiçoando as fórmulas de colaboração público-privada já existentes nos países em estudo.
A maioria das economias a nível mundial entrou, a meio de 2008, num período de recessão económica, principalmente motivada pelo aparecimento de uma forte crise de carácter financeiro a nível global. Este aspecto motivou que a volatilidade nos diferentes mercados de valores ao longo de todo o mundo tenha aumentado de forma significativa. Perante este cenário, surge a necessidade de efectuar uma avaliação tão precisa quanto possível sobre o risco que as diferentes carteiras de investimento suportam, estabelecendo estratégias que permitam uma diversificação eficiente. Assim, os professores da Universidade de Saragoça (Espanha), Eduardo Ortas, José M. Moneva e Manuel Salvador, analisam os níveis de risco, através da estimativa dos níveis de volatilidade condicional, associados às carteiras de investimento que têm posições em índices bolsistas socialmente responsáveis no mercado espanhol, realizando uma comparação com estratégias de investimento tradicionais.
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