Edição Atual
No primeiro artigo, Carlos Eduardo Gonçalves de Oliveira e Lúcio de Souza Machado (Universidade Federal de Goiás, Brasil) analisam a relação entre subsídios governamentais e práticas de planejamento tributário em empresas brasileiras listadas em bolsa. A partir de uma análise quantitativa baseada em indicadores de carga tributária efetiva, os autores comparam empresas subsidiadas e não subsidiadas, encontrando evidências de que as primeiras tendem a adotar estratégias mais intensivas de tax avoidance. Seus resultados oferecem uma reflexão relevante sobre os efeitos indiretos das políticas públicas no comportamento fiscal corporativo.
No âmbito das finanças do consumidor, Christopher Ferreirós-Rodríguez, Sara Fernández-López e Lucía Rey-Ares (Universidade de Santiago de Compostela, Espanha) examinam como o estado de saúde influencia o endividamento da população sénior. Por meio de modelos econométricos aplicados a dados da pesquisa SHARE, os autores mostram que determinadas condições de saúde aumentam a probabilidade de recorrer a financiamento externo, seja por meio de empréstimos formais ou instrumentos de crédito. O estudo destaca a importância de integrar a dimensão da saúde na análise da vulnerabilidade financeira das famílias.
A interação entre tecnologia e sustentabilidade é abordada por Thalía Fernández-Jiménez, Alejandro Delgado-Cruz e Elva Esther Vargas-Martínez (Universidad Autónoma del Estado de México, México), que analisam o papel do big data e da inteligência artificial na inovação sustentável no setor turístico. Com base em uma abordagem quantitativa utilizando modelagem de equações estruturais, os autores evidenciam que o impacto do big data é significativamente reforçado pela adoção da inteligência artificial, configurando ambas as tecnologias como elementos-chave na geração de capacidades dinâmicas orientadas à sustentabilidade.
No contexto da instabilidade financeira global, Jorge Luis Sánchez Arévalo e Isabel Lima da Costa Silva (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil) estudam os mecanismos de contágio financeiro entre o Brasil e seus principais parceiros comerciais durante a crise da COVID-19. Por meio da aplicação de metodologias complementares que capturam tanto a covolatilidade quanto a coassimetria, os autores concluem que a análise tradicional baseada em correlações é insuficiente para compreender plenamente a transmissão de choques em cenários de crise, destacando a utilidade de abordagens mais abrangentes.
A análise das práticas de gestão da qualidade no setor de serviços é desenvolvida por Marina Godinho Antunes, Pedro Ribeiro Mucharreira, Maria do Rosário Teixeira Justino e Joaquín Teixeira-Quirós (Instituto Politécnico de Lisboa, Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo, Universidade Autónoma de Lisboa, Portugal). Por meio de um modelo de equações estruturais, os autores examinam o impacto da gestão da qualidade total e da certificação ISO 9000 no desempenho organizacional. Os resultados mostram que, embora as práticas de qualidade melhorem o desempenho operacional e de mercado, não se observa um efeito significativo sobre o desempenho financeiro, o que convida à reflexão sobre o real alcance das certificações como ferramentas de melhoria organizacional.
Por fim, Harrison Bachion Ceribeli, Ana Flávia dos Reis, Raoni de Oliveira Inácio e Ana Flávia Rezende (Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil) abordam a qualidade de vida no trabalho no setor de mineração, comparando empregados diretos e trabalhadores terceirizados. Com base em uma pesquisa com 252 trabalhadores e no uso de técnicas estatísticas comparativas, os autores identificam diferenças sistemáticas em múltiplas dimensões do ambiente de trabalho. Os resultados evidenciam que os trabalhadores terceirizados percebem condições menos favoráveis, menor reconhecimento e menos oportunidades de desenvolvimento, o que revela a existência de desigualdades estruturais associadas a esse tipo de vínculo laboral.
Gostaríamos de expressar nosso sincero agradecimento a todos aqueles que contribuem para o desenvolvimento e a consolidação da revista: membros do Conselho Editorial e do Conselho Consultivo, editores associados, avaliadores e autores, cujo esforço e compromisso garantem a qualidade científica da GCG. Estendemos também nosso reconhecimento aos leitores, cujo interesse e acompanhamento dão sentido a este projeto editorial.
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