v. 4 n. 1 (2010)
Sobre este número
Carta do Editor Chefe

Com este número, a Revista de Globalização, Competitividade e Governabilidade inicia o quarto volume, cumprindo fielmente a periodicidade para com os nossos leitores. Abrimos este número com o artigo de Miguel J. Schloss, professor da Universidade Católica do Chile e membro do prestigiado Directório de Dalberg Global Development Advisors. O autor questiona a legitimidade da luta anti-corrupção, devido à sua reduzida eficácia no terreno, uma vez que as iniciativas estão fundamentadas em diagnósticos mal concebidos e há falta de agilidade e independência das entidades oficiais para fazer frente aos agentes de corrupção. Para defender a sua tese, Schloss, analisa as causas que explicam os problemas da corrupção, as evidências empíricas e as correspondentes acções correctivas. Termina concluindo que as acções devem ser complementadas com o desenvolvimento e a capacitação das sociedades civis; o fortalecimento da administração pública; estabelecimento de prestação de contas e mecanismos de intermediação.

O segundo artigo, de Tiago Loncan, aluno do GCL da Georgetown University, e Walter Meucci Nique da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, analisa a relação entre o grau de internacionalização, avaliado pelas vendas internacionais sobre as vendas totais e pelo desempenho financeiro e de mercado para cinco empresas multinacionais brasileiras. Os resultados indicam que os maiores graus de internacionalização das vendas estão associados a retornos positivos em termos de ROA (retorno sobre os activos) e Tobin’s Q (desempenho de mercado). As empresas que competem em sectores de maior valor acrescentado apresentam maiores retornos marginais sobre as vendas internacionais.

A professora Veneta Andonova, Yeny E. Rodríguez Ramos e Iván Darío Sánchez Manchola da Universidade de Los Andes da Colômbia analisam o comportamento das empresas colombianas em indústrias caracterizadas por ondas de fusões e aquisições durante o período de 1995-2008. Os autores concluem que, em termos de rentabilidade, passados três anos, as empresas seguidoras apresentam vantagens comparativamente com as que primeiro entraram na onda. Do mesmo modo, facultam recomendações aos gerentes que estudam a possibilidade de entrada no mercado colombiano por meio de fusões ou aquisições.

Temos a Governabilidade ameaçada na América Latina? As reformas realizadas no Uruguai foram favoráveis à Governabilidade? Duas interrogações às quais tenta responder o Coronel Lucio Dalía Mora, do Centro de Altos Estudos Nacionais do Uruguai. Para o autor, as constantes incertezas que se verificam nos nossos países provocam desequilíbrios, tais como a incapacidade para pensar, incapacidade para produzir e para gerar inovações. A Estratégia, a Visão e a Gestão Estratégica devidamente coordenadas e funcionando em harmonia permitem tomar medidas pró-activas que podem garantir que estamos a fazer o mais correcto.

No trabalho seguinte, dos professores da Universidade de Oviedo, em Espanha, Lucia Avella Camarero e Francisco Pérez García, é analisada a relação entre a actividade exportadora das PMEs espanholas e o seu nível de competitividade. Assim, utilizando os dados da Sondagem Sobre Estratégias Empresariais, os autores estudam tanto se as exportações contribuem para melhores resultados empresariais como se um elevado nível de competitividade constitui um requisito para a exportação. A evidência obtida demonstra, por um lado, que os resultados empresariais melhoram muito ligeiramente como consequência do início das exportações – mas não após o aumento do volume de exportação – e, por outro, que os bons resultados anteriores facilitam tanto o início das exportações como uma maior presença no exterior das nossas PMEs.

A investigação realizada por Cristian Salazar C., Pamela Fernández Tejeda e Paula Ubeda Medina da Universidade Austral do Chile tem como objectivo geral identificar o nível de desenvolvimento dos e-serviços no ambiente municipal da Região de Los Ríos, localizada no sul do Chile. Para isso utilizam um modelo concebido e aplicado no ambiente municipal espanhol, o qual avaliou este desenvolvimento através do índice e-Valor. Os autores concluem que o número de ligações à Internet e o orçamento comunal não são factores determinantes do nível de desenvolvimento dos e-serviços estudados.

A crise mundial corroeu a confiança nas empresas e nos seus dirigentes. María Iborra Juan, da Universidade de Valência, e Angel Peris Suay, da Faculdade de Teologia «San Vicente Ferrer», propõem que a recuperação da confiança seja apoiada no desenvolvimento de um modelo de empresa pluralista que assuma uma responsabilidade social corporativa de cidadania. Para justificar as suas hipóteses analisam em que medida esta RSC de cidadania existe nas cadeias de abastecimento das principais empresas do sector têxtil espanhol, mostrando a diversidade de respostas em termos de transparência e de diálogo participativo. Para os autores a transparência e diálogo devem permitir a construção de um «ethos» que devolva a confiança perdida.

Esperamos durante o corrente ano continuar a contar com a confiança de todos: membros do Conselho Consultivo, Conselho Editorial, Editores e Editores Associados de área, avaliadores, autores e, sobretudo, dos leitores.